Thursday, May 1, 2008
Ela
Entretanto...
Cada coisa tem seu tempo
Cada fome seu alimento
Cada senso seu contento
Cada “não tenho” seu desdenho
Não entendo!
Como chove no asfalto
com tanta terra seca e áspera?
Como o tempo passa
se a vida anda correndo tão parada?
Céus!
Como uma costela faz tanta falta?
(...)
I.V.
Tuesday, March 18, 2008
Brasileiro
Filho bastardo sou, como todos os meus irmãos.
Ítalo-tupí-lusitano, sou da raça que é única, que é do mundo, que é todas e é nenhuma. Filho dessa mãe gentil, de olhos cor da anil e pele de flor.
Mulher brava, que de criança inocente virou moça meretriz. Que cria suas crias com a destra da vida. Que ama de dia e de noite é vadia.
Nascida em berço esplendido, ao som do mar e a luz de olhos carniceiros. Aliciada e penhorada sem igualdade alguma. Vive da ginga, dança na injustiça da vida, como quem dribla com pitoresca destreza de craque menino a fúria de monstros gringos.
Sambando em brasa, cantando “Lerê” na labuta escrava, é gentil amada mãe, desafia o peito a própria morte pelo sonho intenso de cada filho, pelo amor e esperança de quem sabe um dia, Ver paz no futuro e glória no passado.
Brasileiro sou, Debaixo desse céu risonho e límpido, abraçado pela terra mais garrida, não fujo a luta, nem temo a própria morte.
Entre outras mil, és tu Brasil
Amada pátria minha
Pátria mãe.
Mãe menina.
I.V.
Monday, March 3, 2008
Elogio ao fracasso.
Fracasso, palavra linda, sentimento belo. É o extremo valor das coisas, é o lugar de descanso, de desonra. Quando a cabeça abaixa, o espírito se eleva, e o belo menosprezo à honra é a vingança insultiva contra o pavor da vida. Não existe lá valor nem desvalor, é tudo uma coisa só, vaidade e glória, sangue e suor, força e tremor, fraqueza e vitória. Vitória sim, mesmo que da fraqueza.
Belo nome esse, deste monstro que persegue a todos, que urra em alto e pavoroso tom, como um carrasco de coração mole. O fracasso acaricia as feridas do lutador, coroa com louros secos o semblante abatido, as evidencias claras de um fato de que dão estúpido e amargo, é até doce.
A coragem de se jogar ao chão e desprezar a vaidade, é o mérito de quem se aventura. O fracasso é doloroso sim, e é essa sua natureza. O consolo em dias de fracasso, é como uma faca de dois gumes, embora bem vindo soa a humilhação, pois sempre vem de quem só assistiu e quem sabe até torceu, o que o torna quase sempre inválido (por mais arrogante que tal idéia pareça), ou vem de cima, do vencedor, quando o mesmo demonstra tal humildade e honra o fracassado (o que sempre soa como arrogância).
Ter poucos ou muitos limites, não é ser fracassado, é ser humano. Fracassar é celebrar a dádiva da diferença, é coroar a coragem. Pois só apanha quem da a cara a tapa, só cai quem ousou andar, só passa como fraco aquele que, de alguma forma se arriscou a ser forte. Do resto, são pedras que rolam na ladeira da vida, sem sentido e sem história.
O verdadeiro fracasso é lindo, embora nunca bem vindo.
Sunday, February 17, 2008
Vaga a Mente
voa e voa
vai a mente
mente e voa
mente pro corpo
que grita ...
grita com a mente
que finje que não escuta
trabalha o corpo
vaga a mente
vagamente o corpo descança
furtivamente a mente lermbra
e mente novamente pra pernas que ja se transam
se eleva a mente
em nome da esperança
cai o corpo despresando a honra
e ja sem lembranças...
ruidos se invaidecem
enquato a mente dança...
I.V. 8/ 05
Wednesday, October 10, 2007
xinoca
pitanga, caju
a carne macia
o vento do sul
a pele o pessego
a boca de fruta
o cheiro de flor
o azul do ceu
o seu azul
o som do mar
mãos, dedos, tremor
o frio na barriga
suor, arrepio, calor
entregar-se
se dar sem dor
ser mais que estar
mais amor que mar
mais amar que amor.
(...)
I.V.
Tuesday, October 9, 2007
Sina
mantém minha sina
Peleja contra o branco
tateia palavras distraídas
atira letras por todo canto
Suja o manto do vazio encanto.
Por enquanto...
engrandeço de letras um único verso
pequenas estrelas do grande universo
agradeço ao verbo
vento de outono, ventre de tudo.
Sina querida
Mantém minha mente viva.
I.V.
Dia de Cão
Cinza
Amanheceu o dia
Gélido e calmo
Preludiando à desventura
Um deserto de sorte
Sem tom de festa
Sem som e nem pressa
Manso e destro
Parecendo prezar a zebra
Agourando a ceia
e a ciesta
Esgotando forças
Estocando zangas
Piada sem graça
Ferina fadiga
Como um fogo desafeto
Mortiça fúria que ardia
Úfa...
Ainda era dia.
(...)
I.V.