Friday, November 21, 2008

Dia-a-dia




(...)


É o horizonte que encanta.


O longe de hoje
o aqui do amanhã.
De manhã!
Já é outro dia e misericórdia
são passos novos
feitos raros
cada suspiro inspirando seu milagre...

Gira o mundo

Cansadas as pernas
calhadas as circunstâncias
O sono encena o repouso,
enquanto o riso dorme no rosto.
Além do mais, nem o menos é tanto assim
pra que se pare a caminhada
Que separe o agora do depois.
Todo dia é a mesma vida
Toda a vida é Dia-a-dia

É o horizonte que encanta.

(...)

I.V.

Wednesday, October 8, 2008

Razoável

(...)






É razoável 
que nem sempre toda razão tenha razão de ser
tampouco que haja alguma emoção racional
ou alguma intenção ponderada rasa
Enquanto se rala o senso pela dúvida
pelo apelo à inteligência matemática,
a lógica chora pelo coração que pensa

que sabe pensar...

Toda razão rateia
Toda emoção ateia
e é raro e necessário.
Nesse digladiar infinito...
num fogo gélido que consome a alma
é raso e extenso, como um eterno flertar cego 

como toda razão incompreendida, num existir dissonante

Se não é a razão a emoção de toda lógica
se não toda emoção razão de toda matemática

São coração e lógica
amantes que nunca se dão!

É Razoável...


(...)


I.V.

Saturday, September 20, 2008

7 Kg

( ... )


Leve.

Em alfa

Em off

No centro do nada

No topo do quase

Do não

Do sim

São

E salvo, amén!

Em StandBy

By her

By me!

Assim

Cai do alto

Cai em mim

Sai Dalí

Que outrora aqui,

Pesava e mi

Dó e Sol.

Só e aqui

Leve.

( ... )



I.V.

Monday, September 8, 2008

Vida Colorida


(...)


entrou na tenda!
despiu a roupa que era velha
respirou o ar que já era denso
se deitou no colchão amassado

sorriu um sorriso pintado
fechou os olhos pesados
suspirou um suspiro cansado

verteu das mãos marcadas tremores
das pernas cansadas dores
da alma aturdida esperança e cansaço

um sorriso, um suspiro, um ano de cão

um dia de palhaço.


respeitavél público...
bem vindos ao circo da vida.

(...)

I.V.

Thursday, August 28, 2008

VIDA

nada...





Respira








Tudo






Expira




Todo o resto.



I.V.

Jóia de gaveta

(...)


Não sei... Por que se relaxa a face nesses momentos
Nem por que os movimentos ficam suaves e lentos
Por que o olhar se fixa no nada
como se buscasse tanger o intangível
e muda em lentas piscadas
do nada pra lugar algum,
fitando o inexplicável.
Densa brisa
doce solidez por onde vagueiam meus devaneios.
Destra da calma
da lagrima sem vontade
do riso baixo e descabido
que fere com ironia o pesado manto da desilusão...

Razão!

Raso senso pertinente,
fina e frágil pele que discerne o pulso quente do frio momento.
Desesperado intento de um orgulho fraco, ferido e orgulhoso.
Não sei por que os valores se conflitam nessas horas,
Nem porque a fúria se acalma, como quem se percebe golpeando o ar.
Nessas horas se é como um diamante guardado;
Belo
puro
valioso e pobre
um adorno no escuro da gaveta
a espera de fazer rico quem o possua.
Jóia pesada
pousada a esmo no veludo vinho do acaso.

Não sei...

I.V.

Monday, June 2, 2008

Bolha de Sabão- Crônica

Hoje fiquei sabendo de maneira meio abrupta que um amigo de infância havia sofrido um acidente e falecido. Isso me quebrou a base.

É fato! Tudo o que nasce, more! e talvez esse seja o único fato concreto sobre a terra, do qual acredito eu que a humanidade nasceu eternamente despreparada. Céus! Como a vida é frágil, ora se está vivo, ora já não. Ninguém gosta de falar de morte, mas quando ela aparece num porta retrato é que nos damos conta de quem ela é... Vinte e tantos anos de história, momentos e mais momentos, detalhes e identidades, pra estupidamente sumir do mundo e deixar tudo pra quem ficou, não havendo sequer a possibilidade de um “death E-mail”.

Esse pedaço denso de eternidade que agente passa sobre a terra é em essência, um aglomerado de dúvidas, as quais usamos pra compor o alicerce de algumas certezas. Todo mundo é tão igual e tão absurdamente diferente. Não vou aqui dar uma de Pedro Bial, nem me prestar à Shakespeare do século XXI, filosofando sobre morte e vida e qual o verdadeiro sentido destas. Mas da minha parcela de conselhos obsoletos e sofríveis, me cabe sugerir a cada um que ainda respira que se esvazie de si, que deixe claro e saliente o que sé e o que se pensa, com muita classe e noção é claro, mas que jamais se relacione com quem é importante, e com quem se saber ser importante através de uma interface social programada. Ame de fato, mesmo que isso seja contrariar ou ser contrariado; expresse o que se pensa e o quanto cada um é importante pra você (quando de fato for); ressalte e frise os detalhes da identidade de cada pessoa que você nota, elogie, abrace, beije, ame, sem padrões nem medos.

A fragilidade da vida é tão absurda quanto a própria vida, e quando em fim, cumprirmos com nossa natureza e nos encontrarmos com nossa inevitável sentença, enterraremos milhares de agradecimentos não feitos, elogios não dados, potenciais não despertados nas pessoas que nos cercaram, amores não declarados e desculpas não ditas. E isso é natural, é até meio piegas pensar assim, afinal agente vai estar morto mesmo. Mas quando não tão ‘em fim’ assim, alguém que de manhã tomou café ao seu lado desaparecer desse mundo a tarde, vai ficar na garganta milhares de agradecimentos não feitos, elogios não dados, potenciais não despertados na pessoa que foi, amor não declarado e desculpas não ditas. E isso não é natural, não é piegas e não é inevitável. Fica difícil levar pra cama, pro trabalho, pra vida inteira tudo isso, todos os detalhes, todas as lembranças e todos momentos lindamente fúteis que você viveu com aquela pessoa do café de ontem. Mas quando o tudo isso parar na garganta, o tempo nos deixar diluir tudo em lagrimas, e muitas vezes não há lagrimas suficientes na vida inteira.

Acredite e se esforce por quem você gosta, esteja sempre vazio do que se tem a dar, não importando se será ridículo ou não. Não falo de bancar o “super carismático” e ser só abraços e sorrisos, nem se prestar a gastar a vida em programas sociais, muito menos viver desesperadamente como se cada instante fosse o último e ter a possibilidade da morte como um pesadelo que te obrigue a se derreter a todo momento, isso seria insuportável , mas, se o amor e a compaixão ficarem à mercê de programas de comportamento, se o medo de se expor e de se decepcionar forem maior que o que se tem na mente e no peito, você pode estar se condenando a morrer lentamente com o peso do amor não dado, das emoções não expressas e das palavras não ditas apodrecidas na alma.

Privar o amor ao próximo, é um homicídio... É um suicídio. O tal amigo nem era tão próximo, mas hoje, eu morri mais um pouco.

Isaque Veríssimo, segunda-feira 2 de junho de 2008.